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Domingo, Março 09, 2008
Mude
Essa é uma das histórias mais absurdas de que já tomei conhecimento até agora. Recebi e-mail da minha leitora Nancy há alguns meses pedindo que publicasse esse texto. No entanto, já havia recebido o seguinte e-mail do próprio autor, pedindo esclarecimento neste blog. Acabei ficando muito tempo afastada de minhas atividades on-line e adiei a postagem, mas não poderia deixar de divulgar essa história aqui (em homenagem também à Flávia, que comentou de sua frustração pela falta de atualização do Autor Desconhecido).
Confesso que, ao saber dessa história, cogitei a hipótese de os herdeiros da Clarice Lispector serem tão ignorantes que não conhecem o trabalho da Clarice. Não têm como saber o que é ou não dela porque nunca leram um livro na vida (argumento derrubado por um de meus neurônios, que me lembrou de que eles devem saber o que a Clarice tem registrado como dela, nem que seja pelo título). Existe a possibilidade de que tenham agido como falsos espertos, imaginando que o texto tenha sido escrito pela entidade sem rosto e sem nome conhecida como Autor Desconhecido e que ele - além de tudo - tem um sério problema de memória e se esquece rapidamente de tudo o que escreve (afinal de contas, ele escreve tanto!). Então, não haveria o menor problema, nem conseqüência alguma em aceitar dinheiro por uma obra que não lhes pertencia, como se pertencesse.
Seja como for, é um absurdo sem tamanho que deve, sim, ser exposto ao público, o máximo possível, para que se tenha noção da dimensão do problema e que a irresponsabilidade não é apenas de leitores leigos e internautas, mas de jornalistas, publicitários...gente que deveria ser melhor informada, mais consciente e responsável com o trabalho alheio. Conhecidos como "formadores de opinião", não lêem, não se informam, não têm conteúdo suficiente para repassar ao público (que também não lê, não se informa....vixe, melhor nem continuar o raciocínio...) e acabam agindo como agentes de desinformação em larga escala. Dá medo.
Segue o e-mail do autor, o link para o site no qual há a explicação de toda a história, e o texto original.
Por um erro da Agência Leo Burnett, meu poema MUDE foi utilizado num comercial da Fiat, e teve sua autoria atribuída, erradamente, a Clarice Lispector.
Os herdeiros de Clarice receberam quarenta mil dólares, ilicitamente, pelo "licenciamento" de uma obra alheia (no caso, minha).
Sentença transitada em julgado deu ganho de causa a mim, em Ação Cautelar.
Os herdeiros recusam-se a devolver o dinheiro, e sequer se pronunciam em público sobre o caso.
Detalhes em http://desafiat.weblogger.com.br
Abraços, flores, estrelas..
Edson Marques.
Mude
Edson Marques.
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
Viva outros romances!
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas.
Troque de carro.
Compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Arrume um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda! "
Desvendado por Vanessa Lampert
2:39 PM
Sábado, Junho 23, 2007
Aviso
Andei afastada nos últimos meses não apenas deste blog, mas da internet, como um todo. Tenho feito as pesquisas de forma bem menos intensa, e recebendo vários emails de leitores pedindo para que eu desvende algumas autorias ou enviando os textos já com autoria esclarecida (mesmo nesses casos, eu sempre checo as informações). Agradeço imensamente a ajuda que vocês me dão através desses emails, pois como já comentei aqui, não recebo mais textos encaminhados por amigos (eles cansaram de ouvir...risos...), então é uma boa forma de saber o que anda circulando por aí.
Peço desculpas a quem ainda não recebeu resposta, e desculpas antecipadas, pois responderei cara-de-paumente até aos que estão com incrível atraso. De agora em diante conseguirei voltar a postar aqui com certa frequência, material é o que não falta. Peço que tenham paciência e agradeço a colaboração e o contato dos leitores, os comentários deixados aqui e os emails que me enviam diariamente. Espero conseguir reunir aqui o maior número de textos com paternidade devidamente reconhecida, tirando os louros do inexistente Desconhecido e os entregando a quem tem direito, realmente. O trabalho é árduo e feito meticulosamente, demoradamente, com o perfeccionismo suicida que me é peculiar. Pelo menos vocês têm a certeza de que a autoria que estiver exposta aqui foi suficientemente escarafunchada, até chegar ao resultado final. Continuem a me mandar textos, ainda que demore horrores, farei a devida investigação.
Até logo!
Desvendado por Vanessa Lampert
6:24 PM
Navegue
Esse texto foi enviado pela leitora Nancy, tem circulado como sendo uma poesia de Fernando Pessoa. Não é. É de autoria de Silvana Duboc, e não tem absolutamente nada a ver com nada que Pessoa escreveu em toda a sua vida. Ocorre que uma criatura resolveu "completar" o texto com uma frase que creditou a Fernando Pessoa "Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais é nada" e o texto todo foi engolido pelo crédito equivocado. A autora inclusive divulga o número do registro do poema, para que não haja dúvida.
NAVEGUE
Silvana Duboc
Navegue,
descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar,
o lugar deles é lá.
Admire a lua,
sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol,
se deixe acariciar por ele,
mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas,
apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento,
ele precisa correr por toda parte,
ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva,
ela quer cair e molhar muitos rostos,
não pode molhar só o seu.
As lágrimas?
Não as seque, elas precisam correr na minha,
na sua, em todas as faces.
O sorriso!
Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!
Quem você ama?
Guarde dentro de um porta-jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui,
a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda,
se o século vira,
se o milênio é outro, se a idade aumenta;
conserve a vontade de viver,
não se chega à parte alguma sem ela,
Abra todas as janelas
que encontrar, e as portas também.
Persiga um sonho,
mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma
com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias,
deixe-se levar pelas vontades,
mas não enlouqueça por elas.
Procure,
sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso
para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos,
mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado,
alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé,
não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça
nos seus desejos, e satisfaça-os.
Agonize de dor
por um amigo,
só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos,
mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se,
volte atrás, peça perdão!
Não se acostume
com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague
seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar
que precisa voltar, volte!
Se perceber
que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado,
comece novamente.
Se estiver tudo certo,
continue.
Se sentir saudades,
mate-a.
Se perder um amor,
não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
Caso sinta-se só,
olhe para as estrelas: eu sempre estarei nelas.
Não estão ao seu alcance
mas estarão eternamente brilhando para você! "
A publicação desta obra foi autorizada pela Autora - Silvana Duboc - e encontra-se devidamente Registrada na Fundação Biblioteca Nacional
Ministério da Cultura - Escritório de Direitos Autorais
Rua da Imprensa 16 - sala 1205 - Centro - Rio de Janeiro
Registro - 309.788
Livro - 564
Folha - 448
Analisado por - Pedro José Guilherme de Aragão
Assinado por - Célia Ribeiro Zaher- Diretora do Centro de Processos Técnicos
Desvendado por Vanessa Lampert
6:15 PM
Ter ou não ter namorado
Outro clássico, enviado pela leitora Niza:
Esse texto foi publicado em 1984 e circula há anos, inclusive em revistas, jornais e antologias, como sendo de Carlos Drummond de Andrade. Muita gente já sabe que é de Artur da Távola, mas em pleno 2007 o encontrei até mesmo creditado ao Verissimo e ao nosso amigo Desconhecido. As alterações que ainda circulam por aí (inclusive transformando a crônica em poesia, colocando as frases em coluna....argh!!!) são apavorantes. Por que fazem isso com textos inocentes? Alguns acréscimos, alguns cortes, algumas deformações...a maioria dos textos alterados suprimiu a ordem "ENLOU-CRESÇA." Provavelmente, os Alteradores de Textos Anônimos não entenderam o novo termo.
Artur da Távola reclama, em adendo colado ao texto:
"Não sei mais o que fazer! Aviso às editoras que fazem antologias, que de agora em diante irei à Justiça e as processarei por uso indevido de uma crônica de minha autoria, ¿ Ter ou não ter namorado¿, publicada em 1984 no Livro ¿Amor A Sim Mesmo¿, da Editora Nova Fronteira, como se fosse do grande poeta e cronista Carlos Drummond de Andrade. Algumas editoras, para aproveitarem-se da justa fama de Drummond não se preocupam de examinar com cuidado e tascam nas antologias essa minha crônica, como dele. É a que se segue, com o título que está aí em cima:"
Aí vai o texto original, postado em seu site :
TER OU NÃO TER NAMORADO
Artur da Távola
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.
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Desvendado por Vanessa Lampert
5:54 PM
Sábado, Março 03, 2007
Não, o Autor Desconhecido não gosta de cachorros....até por que ele não existe, lembra?
O poema "Focinhos" foi escrito por Claudia Zippin Ferri em dezembro de 2005 e deu à autora o primeiro lugar no IV Concurso de Poesia e Prosa da SPPA (Piracicaba), em 2006, e tem sido repassado em listas de emails como sendo do Autor Desconhecido.
A pessoa que repassou esse texto soltou a terrível pérola: "Mas uma poesia linda assim não importa quem fez ... A pessoa q o fez deve ter um bom coração e não deve importar-se com essas coisas". Sei que obviamente ninguém diz isso na maldade, mas na ignorância. Ainda assim, respondi o que canso de repetir por aqui: É direito do autor ter seu trabalho respeitado, isso independe do fato de ele ter bom coração ou não. Autoria é coisa séria.
Não é errado, nem indigno exigir os créditos pelo seu trabalho, muito pelo contrário, é mais do que digno. Profissional ou não, o escritor deve ter seu nome escrito entre o título e o texto. Nome que não está lá por ego, mas por direito. Então, entrego "Focinhos" à sua legítima dona :-) Claudia Zippin Ferri, que respondeu ao meu contato de forma tão simpática.
Focinhos
Claudia Zippin Ferri
Ah, se as pessoas soubessem o que há por trás de um focinho,
Focinho úmido, geladinho,
Preto, marrom, desbotadinho,
Simples e lindos focinhos.
Ah, se as pessoas soubessem o valor de um focinho,
Focinho medroso ou metido,
Focinho manhoso, carinhoso,
Simples amigos focinhos.
Ah, se as pessoas tivessem ao menos um focinho,
Não sobre o próprio rosto,
Mas em carne, pelo e osso,
Fonte pura de carinhos.
Ah, se as pessoas protegessem os focinhos,
Focinhos que vivem sozinhos,
Amores desperdiçados; focinhos amargurados,
Focinhos pra todo lado.
Ah, se as pessoas conhecessem os focinhos,
Quanto amor, quanto carinho,
Anjos peludos, sem narizinhos.
Anjos fofos atrás de focinhos.
Ah, se eu pudesse ver todos os focinhos,
Amados e acolhidos,
Crianças da criação, anjos de bem querer,
Focinhos em plena evolução.
Ah, se as pessoas soubessem,
Quanto amor e dedicação,
Quanta vida, quanta paixão,
Quanto vale o amor de um cão.
Ah, se eu pudesse mostrar para todos, o valor de um focinho,
A gratuidade de um carinho,
O que existe de verdade,
Por trás de um simples focinho.
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Desvendado por Vanessa Lampert
10:42 PM
Domingo, Novembro 05, 2006
Não é Jabor, nem Danuza Leão
Colaboração da leitora Carol Ueber, que já cansou de avisar suas amigas da verdadeira autoria desse texto. Antes que Jabor comece a vociferar culpando, em sua clássica megalomania, ao plagiador desconhecido que, segundo ele, "copia seu estilo" para fabricar Arnaldos em série, explico, caro amigo, que isso raramente acontece. Geralmente o nome de Jabor, de Verissimo ou de Quintana vai ilustrar esses textos sem o menor critério. É só para enfiar um nome de peso para dar credibilidade a um texto roubado. É, roubado. A maior vítima, na maioria das vezes, é o autor, já que ele não tem os leitores cativos do escritor famosão, não terá seu trabalho reconhecido e ainda será acusado de plágio se tentar recuperar a autoria. No caso do texto abaixo, ele foi originalmente postado no falecido Blog Megeras Magérrimas, em 27/01/2004, pela autora, Patrícia Antoniette.
O original econtra-se neste link .
Namorofobia
Patricia Antoniette
A praga da década são os namorofóbicos. Homens (e mulheres) estão cada vez mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem.
Uma coisa muito estranha. Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Tem alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar um intervalo regulamentar, que é para não parecer namoro.
- É tua namorada?
- Não, a gente tá ficando.
Ficando aonde, cara pálida?
Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento - não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico.
Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar pra ver se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar junto, de dividir.
A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO.
Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Ui. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.
Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome.
Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque "a gente tá ficando" que não se deve respeito, carinho, cuidado. Não é porque "a gente tá ficando" que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ou não é filhadaputice. Não é porque "a gente tá ficando" que o outro passa ser mais um número no rol das experiências sexuais - e só.
Ou é?
Tô ficando velha?
Paciência. Comigo, só namorando.
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Uma das versões alteradas
A Praga da Década
A praga da década são os namorofóbicos. Homens e mulheres estão cada vez mais arredios a título de namorado, mesmo que, na prática, namorem. Uma coisa muito estranha.
Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem. Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constância só para não criar jurisprudência, como se diria em juridiquês. Podem sair várias vezes numa semana, mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares, que é para não parecer namoro.
É tua namorada? - Não, a gente tá ficando. Ficando aonde, cara pálida?
Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge, como se namorar fosse outorgar um título de propriedade. Devem temer que ao chamar de namorada(o) a criatura se transforme numa dominadora sádica, que vai arrastar a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento. - Não vai. Não a menos que seja um(a) psicopata. Mais pata que psico. Namorar é leve, é bom, é gostoso. Se interessar pelo outro e ligar para ver se está tudo bem pode não ser cobrança, pode ser SAUDADE, vontade de estar junto, de dividir.
A coisa é tão grave e levada a extremos que pode tudo, menos chamar de namorado. Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há
meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO. Antes, o problema era outro: CASAMENTO. Uiii. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.
Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo. Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento que possa durar mais que uma noite e significar um envolvimento maior que saber o nome. Do que o medo? Da responsabilidade? Da cobrança? De gostar? Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado. Não é porque "a gente tá ficando" que não se deve respeito, carinho, cuidado...
Não é porque "a gente tá ficando" que você vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso não dói ? Não é porque "a gente ta ficando" que o outro passa a ser mais um número no rol das experiências sexuais - e só.
Ou é? Tô ficando velho(a)? Paciência. Vamos NAMORAR em toda a sua essência
Curtir, cuidar, respeitar... Se preocupar, tá junto, conhecer o outro.
Vocês "ficantes" estão perdendo o que existe de mais bonito e gostoso num relacionamento num Namoro que é a cumplicidade... A magia, o encanto, a
conquista, o Amor!!!
Pensem nisso e Namorem pra valer."
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Argh!! Se tem uma coisa que eu detesto nessa Entidade Alteradora de textos é essa mania de colocar reticências e exclamações em tudo, imaginando que assim dá maior ênfase, profundidade ou o que quer que seja ao texto. E a capacidade impressionante que ela tem de transformar qualquer texto em algo totalmente piegas. E as liçõezinhas no final: "pensem nisso". Me desculpem, mas a paciência com esse tipo de coisa chegou ao limite!
Desvendado por Vanessa Lampert
3:51 AM
Sexta-feira, Setembro 08, 2006
Nem Mario Quintana, nem Arnaldo Jabor
O texto que circula com o título "Sentir-se Amado" na verdade é uma deformação do texto da Musa do Autor Desconhecido, Martha Medeiros (eu ainda vou descobrir qual é o pecado que essa mulher cometeu e que está condenada a pagar para sempre), publicado originalmente em sua coluna no Site Almas Gêmeas. Mais especificamente aqui (isso é um link). Cúmulo da degradação da espécie, esse texto (alterado, picotado e distorcido) tem versão em Power Point com "Endless Love" tocando, bregamente, ao fundo. Não acredito que alguém consiga cometer um pecado imenso o suficiente para merecer tal penitência, acho que Martha Medeiros tem um Encosto Desconhecido que altera, deliberadamente, todos os seus textos. A criatura tem toda a lista das crônicas do Almas Gêmeas e se acha "A" artista ao alterar, um a um, com requintes de crueldade. Aí vai, como de praxe, o texto original, e em seguida, a aberração que o persegue:
Sentir-se amado
Martha Medeiros
O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."
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Uma das versões alteradas:
Sentir-se amado
O cara diz que te ama, então tá! Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de quilômetros. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você quando for preciso.
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão...
Sente- se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!
Desvendado por Vanessa Lampert
8:19 PM
Luis Fernando Verissimo não tem nada a ver com isso, please!
Especialmente para meu colega Juscelino, que comentou ter recebido esse texto como se fosse do Luis Fernando Verissimo: "Dar ou não dar" ou "Dar não é fazer amor", é mais um clássico da troca de autoria e foi publicado originalmente na revista TPM na coluna da autora, Tatiana Bernardi. Na verdade o texto em questão foi pinçado do texto original e ganhou não apenas novo autor e vida própria como também enxertos horrendos, as always. Já estamos acostumados a isso, não é mesmo? Cá entre nós: quem acha que Luis Fernando Verissimo seria capaz de escrever: "Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete." claramente duvida da masculinidade do escritor. Então, aí vai o texto verdadeiro e, em seguida, uma das versões que circulam pela net.
Pot-pourri de assuntos
Tatiane Bernardi
O que escrever para a próxima coluna? Listo prováveis assuntos: o mercado de trabalho, homens que cospem catarros horrorosos pelas ruas, minha bunda, sexo sem amor, a necessidade de ter alguém pra chamar de amor.
Demoro um dia inteiro para me decidir porque sou indecisa. Não me decido por nenhum porque sou possessiva e filha única: quero todos. Então vamos lá, seguindo a ordem.
Existe um boato por aí que publicitário tem a vida mansa e que todos eles são meio loucos. Isso dá uma coceirinha nos estudantes que acham esse papo muito cool e se matriculam aos montes pelas faculdades do país. Sou redatora publicitária e há dois anos e meio não tenho um salário decente apesar das mais de doze horas trabalhadas por dia. Já mudei de agência seis vezes e já mudei de assunto mais de mil quando amigos e parentes perguntam por que eu não tenho um horário fixo, um salário fixo e um lugar fixo para ir todos os dias. Aturo a crise mundial, a crise do país, a crise do mercado, a crise do mercado publicitário e a crise de meia-idade de colegas de trabalho com seus leões na mesa, suas baleias em casa e a tara por jovenzinhas deslumbradas e em aprendizado.
O boato da loucura é realidade, ninguém normal atura isso tudo. Quanto a ter a vida mansa, que vão todos para a merda antes que eu me esqueça.
Não sei de muitas coisas nesta vida, mas aprendi que entre a paixão e o ódio pela propaganda, tem sempre um catarro. Vou andando pelas ruas pensando em todos os lados bons e ruins da minha profissão: eu crio, eu não tenho um trabalho burocrático, chato, operacional, burro, exato. Eu movimento grana, eu emociono, eu faço as pessoas rirem. Plá, uma catarrada. Eu ganho mal, me deram uma porra de um PC em vez de um Mac, eu fico muito tempo sentada e minha bunda tá horrível, plá, outra catarrada.
Por que diabos esses imundos homens cospem essas melequeiras pelas ruas? Por que diabos? Por que diabos? Como eu odeio isso. ODEIO. Onde está escrito que o mundo permite essa escatologia exposta à luz do dia? Às vezes é preciso desviar para não sentir respingarem resquícios da nojeira no peito do pé. Desejo do fundo do meu coração que todos eles sufoquem entalados com suas crias gosmentas e fiquem tão verdes quanto elas.
Mas ainda mais nojento do que escutar aquela chupada suína que precede o plá da catarrada, é escutar o sugar de tesão de um escroto qualquer que você nunca viu na vida. É aquele "ssssssssss delícia", "ufffffffffffffffff gostosa".
Não se anime não, seu neanderthal urbano, que o que você está vendo é apenas o poder de uma calça jeans caríssima, que uma redatora publicitária em começo de carreira com seu salário de merda só pode ter comprado em cinco vezes sem juros. Cê não tá vendo, querido, que por trás disso é apenas a bunda de uma redatora publicitária que sofre várias crises de mercado e não tem tempo para uma academia? Tá caída, mermão! Já não é mais a mesma. Aliás, isso me lembrou a propaganda, mas este assunto já deu.
E por falar em dar... dar não é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem querer apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem caras que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom. Na hora. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez por anos. Mas dar é dar demais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um "eu te amo" baixinho, perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que cê acha, amor?". Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua."
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alterações
No texto alterado, não dá para entender a presença das nojentas catarradas na rua (cortado em algumas versões), já que o trecho ficou totalmente desprovido de contexto. Mas desde quando os Alteradores de Textos Anônimos se importam com isso? Eles não estão nem aí, só querem alterar e repassar, compulsivamente, com a autoria equivocada, um texto sem braço e sem perna. Nota-se claramente que o texto foi alterado com o objetivo de se suprimir a autoria, a passagem "Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa Em uma das versões foi trocada por Dar porque a vida é estressante e dar relaxa. Ou seja, o crime foi premeditado.
Outra coisa, a Entidade Alteradora de Textos a-do-ra cortar os períodos para que essas crônicas pareçam poesias. Caramba, minha filha, coloca uma coisa na cabeça: não é por que um troço é escrito em uma longa e interminável coluna que é poesia. Coloca outra coisa na cabeça: reticências não dão profundidade a um texto. E coloque, por favor, uma terceira coisa na cabeça: não, você não sabe escrever. Se você acha que escreve, produza seus próprios textos, não altere textos alheios. Não, você não os melhora, muito pelo contrário, dá a todos eles, bons ou ruins, um ar piegas que certamente é sua marca registrada. Não interessa se o texto é bom, ruim, fraco ou sem graça na sua opinião, só quem pode alterá-lo e deixá-lo "mais legal" é o próprio autor.
Dar não é fazer AMOR
Dar não é fazer amor. Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, é só dar por dar.
Dar sem querer casar...
Sem querer apresentar para mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois
de amanhã. Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém para querer casar, para apresentar para mãe, para dar
o primeiro abraço de Ano Novo e para falar: "Que que ce acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises
E faz você flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.
Se você for chata, suas amigas perdoam.
Se você for brava, as suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.
Agora, experimenta ser amada...
Desvendado por Vanessa Lampert
7:58 PM
Terça-feira, Agosto 15, 2006
Esse texto é um clássico da troca de autoria. Há milênios circula na Internet como sendo de Arnaldo Jabor. O jornalista está cansado de ter textos que não são dele circulando com seu nome, no que tem toda a razão, mas também não precisava ser grosseiro. Luis Fernando Verissimo foi bem mais polido ao divulgar que não era autor do Quase e negar a autoria de coisas como "Um dia de merda". São dois lados de uma terrível moeda: o escritor que vê seu texto, seu legítimo texto (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) circulando com o nome de um outro autor, que não moveu uma palha para merecer os créditos, e o escritor que vê seu nome, seu legítimo nome (não importa se curto ou longo, feio ou bonito, é seu) adornando o texto de outra pessoa, que nada tem a ver consigo.
Deve-se evitar a ignorância de achar que quem escreve o texto é a mesma pessoa que altera o autor. Em minha experiência com autoria trocada, só vi isso acontecer uma única vez. Geralmente o autor do texto é tão ou mais vítima do que o cara a quem o texto foi atribuído. Refletir e respeitar nunca fez mal a ninguém.
Aí vai o texto e o comentário da verdadeira autora, Ailin Aleixo, publicado na revista Vip.
EU NÃO SOU O JABOR, NÃO!
Andam confundindo minha bunda com a do colunista do Estadão
Ailin Aleixo
Há meses um texto meu circula na internet como se fosse do Arnaldo Jabor. Ele já ficou tão puto com essa história de ser elogiado por algo que não é dele que escreveu duas crônicas no jornal O Estado de S. Paulo detonando o autor real do texto, que, na opinião dele, é uma baranga que tenta imitar seu estilo. Eu tentei contatá-lo de todas as formas para esclarecer a situação, mas o moço prefere xingar a se dignar a falar comigo... Então, só para desencargo de consciência, deixo aqui a prova de que "Ode à bunda dura" é meu e ninguém tasca.
"Ode à Bunda dura
Tenho horror a mulher perfeitinha. Odeio qualquer uma que fique maravilhosa num biquíni. Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, está sempre na moda e é tão sorridente que parece garotapropaganda de processo de clareamento dentário? E, só pra piorar, tem a bunda dura feito pão francês com mais de uma semana? Pois então, mulheres assim são um porre. E digo mais: são brochantes.
Você, homem, dirá que estou louca, sou despeitada e, provavelmente, baranga. Na boa, pense o que quiser, mas posso provar minha tese com grande tranqüilidade, ponto a ponto. Quer ver?
> A dondoca faz escova toda manhã: fulaninha acorda às 6 da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patrícia de Sabrit, liso feito pau de sebo e à prova de furacão e Katrinas. Nisso, ela perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão "Alisabel é que é legal". Burra.
> A fofucha anda impecavelmente na moda, o que significa igual a todas as amigas: estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da revista da Daslu. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS! O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando. É capaz até de fazer pose em busca do melhor ângulo perante o espelho do quarto. Credo.
HEBE COVER
> A lindinha exibe um sorriso incessante: ela mora na vila dos Smurfs? Está fazendo treinamento pra Hebe? Sou antipática com orgulho - só sorrio para quem provoca meu sorriso. Não gostou? Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro. Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa. Coitada.
> A queridona tem a bunda pétrea: as muito gostosas são, infalivelmente, muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico, portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem HORROR a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho ou encarar uma pizza de mussarela. Cerveja? Esquece! Melhor convidar o Jorjão.
Pois é, ela é um tesão. Mas não curte sexo porque desglamouriza, se veste feito um manequim de vitrine, acha inadmissível você apalpar a bunda dela em público, nunca toma porre e só sabe contar até 15, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. E você reparou naquela bunda? Meu Deus...
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais (geralmente eles só existem na opinião dela), mas é uma ótima companheira de bebedeira. Pode até ser meio mal-educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas adora sexo. Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução (e, às vezes, nem chegam a ser um problema). Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade. Nem pra dela, nem pra sua."
Desvendado por Vanessa Lampert
7:49 PM
Quinta-feira, Julho 27, 2006
Fernando Pessoa não tem culpa!
Uma amiga recebeu o seguinte texto, creditado a Fernando Pessoa e, certa de que não era dele, me perguntou, bem direta: "Me diz que não foi o Fernando Pessoa que escreveu essa m..."
Bem, eu nunca entro no mérito da questão, se os textos têm ou não qualidade literária, porque todos os textos - até mesmo os ruins - têm autor.
"Deus costuma usar a solidão
para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva,
para que possamos compreender
o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar sobre a responsabilidade
do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço,
para que possamos compreender
o valor do despertar.
Outras vezes usa doença,
quando quer nos mostrar
a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar sobre água.
Às vezes usa a terra,
para que possamos compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte,
quando quer nos mostrar
a importância da vida".
Ok, não foi o Fernando Pessoa. Eu sabia disso. Era óbvio, mas eu não conseguia descobrir de onde raios a coisa surgiu, até que pedi ajuda aos universitários...risos...na comunidade "Afinal, quem é o autor?" a Betty Vidigal acabou descobrindo que trata-se de um legítimo Paulo Coelho!! Se é que existe algo de legítimo em Paulo Coelho. Está em seu livro "Manual do Guerreiro da Luz", em prosa, o seguinte parágrafo, sem título, a versão original da coisa:
"O guerreiro da luz aprendeu que Deus usa a solidão para ensinar a convivência. Usa a raiva para mostrar o infinito valor da paz. Usa o tédio para ressaltar a importância da aventura e do abandono. Deus usa o silêncio para ensinar sobre a responsabilidade das palavras. Usa o cansaço para que se possa compreender o valor do despertar. Usa a doença para ressaltar a benção da saúde. Deus usa o fogo para ensinar sobre a água. Usa a terra para que se compreenda o valor do ar. Usa a morte para mostrar a importância da vida."
Então...créditos dados. Porque nem mesmo Paulo Coelho merece ter autoria trocada. Embora ele mesmo seja fã de "inspirar-se" em textos alheios e citações de autoria desconhecida.
. No comentário escrito por Lucia Joia na comunidade Quem é o Autor, veja que Paulo Coelho tem grandes semelhanças com sua discípula Camila:
Revista Época: O mago Paulo Coelho é acusado de "transmutar" texto originalmente escrito por colombiana... A psicóloga Sonia Hurtado, colunista do jornal El Pais, de Cali, acusou o escritor de plagiar um artigo seu intitulado "Cerrando ciclos" ("Fechando ciclos")..."
Ele teve a cara-de-pau de dizer: "Na abertura de seu artigo, Paulo Coelho dizia que encontrou o texto na internet e admitia: "Não fui eu quem escreveu o original (infelizmente), mas resolvi adaptá-lo, e agora posso pelo menos reivindicar parte de sua autoria" ...
Quem quiser ler o artigo da Revista Época na íntegra: Clique aqui.
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Por essas e outras, não consigo respeitá-lo como escritor. Escritor de verdade, que conhece a dificuldade e o trabalho de se produzir um texto do nada não faz isso NUNCA, sob nenhum pretexto. Nem precisa.
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Desvendado por Vanessa Lampert
5:18 AM
Deixem Drummond em paz
O texto é atribuído a Carlos Drummond de Andrade e ao Desconhecido. É mais um Frankstein. O original e de autoria da Musa do Autor Desconhecido, nossa amiga Martha Medeiros, que deve ter colado chiclete na cruz ou servido ki-suco na Santa Ceia. No texto que recebi por email, existem alguns enxertos, frases traduzidas que alguém achou que cairiam bem para "completar" a idéia. Comeram o título, tiraram boa parte do primeiro parágrafo. Foi crime premeditado. Não entendo por que essas pessoas não escrevem seus próprios textos ao invés de sair por aí alterando o texto dos outros.
Alteraram até o formato. Não se trata de poesia, mas de prosa. E é um comentário dela sobre uma frase de um poeta mineiro. Deixa eu destrinchar a coisa para que você entenda melhor:
Eis o texto original, da Martha Medeiros, publicado no site Almas Gêmeas
:
"AS POSSIBILIDADES PERDIDAS
20 de agosto de 2002
Martha Medeiros
Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: "Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".
Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais. "
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Um dos enxertos:
"A cada dia que vivo, mais me convenco de que o desperdicio da vida... Esta no amor que nao damos, nas forças que nao usamos, Na prudencia egoista que nada arrisca e que, esquivando-se do sofrimento, tambem perde a felicidade." -- Mary Cholmondeley
"Every day I live I am more convinced that the waste of life lies in the love we have not given, the powers we have not used, the selfish prudence that will risk nothing and which, shirking pain, misses happiness as well." Mary Cholmondeley
O enxerto final é retirado do livro " You gotta keep dancin' " de Tim Hansel, um livro de motivação escrito por quem sofreu um acidente e foi perseguido por fortes dores. Ele diz, entre outras coisas, que não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria. http://www.amazon.com/gp/product/1564767442/104-1833697-3288713?v=glance&n=283155
"Pain is inevitable, but misery is optional. We cannot avoid pain, but we can avoid joy." (Tim Hansel)
"A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Nós não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria" (Tim Hansel)
You Gotta Keep Dancin' by Tim Hansel
"An amazing book by an amazing man who shares his thoughts, faith and even journal entries through his battle with chronic pain. Stress, disappointment, heartache, hurt -- all are part of the human condition. But while PAIN IS UNAVOIDABLE, MISERY IS OPTIONAL! The freeing message of this book is that no matter what your circumstances, with God's help, you can choose to be joyful. He speaks from experience."
E, por fim, o poema do autor mineiro que inspirou o plagiado texto da Martha Medeiros:
Canção (Emilio Moura)
Viver nao dói. O que dói
é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.
Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o proprio tempo devora.
Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.
Viver não dói. O que dói,
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.
Que tudo o mais é perdido.
O texto-frankstein em uma de suas versões:
Viver não dói
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
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Desvendado por Vanessa Lampert
5:03 AM
Sábado, Junho 10, 2006
Recebi o seguinte comentário:
"Olá, meu nome é Camila, moro na cidade de União da Vitória, interior do Paraná, tenho quinze anos e uma opinião bem crítica com relação ao texto de Willian Ferdnand Shakespeare atibuído à Veronica Shoffstall. Primeiro, a outoria de Shakespeare sobre a verdadeira versão desse texto (que tem como verdadeiro título "Depois de um tempo você aprende")é simplesmente incontestável, traz todos os tradicionais traços literários que Shakespeare usava em textos de auto- ajuda, quanto a isso não há duvidas.
Segundo, a versão dita distorcida e alongada do texto, fora escrita sem o menor propósito de má-intenção, a mais ou menos um ano atrás, é de minha autoria, e não passou de uma carta que eu escrevi a uma grande amiga para homenagear uma data especial. Como ele foi parar aí e quem o encaminhou, eu não tenho a menor idéia! Porém é verdade sim que o texto não passa de uma coletânea, eu apenas fiz uma pequena reunião do que eu mais gostava sobre Paulo Coelho, Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa e outros que a fraca memória não me permite citar agora, com base no texto de Shakespeare, mais alguns resquícios completamente originais de lições de vida,e ficou assim.
A quem achar que sou uma desocupada tentando fazer uma brincadeirinha de mau gosto que me contate para tirar a dúvida, eu aponto e comprovo cada uma das citações que fiz acima. Quanto ao fato da versão do texto que eu redigi ter sido taxada de praga, desgraça, dessas que destroem civilizações - meu Deus, quanto exagero!!! - eu acho que quem fez o comentário deveria rever os seus conceitos. Na minha opinião, não existe presente mais profundamente tocante e precioso que se dê a um amigo especial do que qualquer simples pedaço de papel com palavras não escritas, e sim, desenhadas pelo coraçaõ..."
Camila de Lima | 06.10.06 - 1:07 pm IP: 201.35.54.3
Respondi à moça por email:
Camila, Shakespeare nunca escreveu textos de auto-ajuda, se você já leu algum texto de auto-ajuda creditado a Shakespeare, pode ter certeza de que não é dele. Eu sei o que estou dizendo. Segundo, eu realmente acho linda a idéia de escrever um texto de presente para uma amiga, mas escreva um texto SEU, jamais faça "colagens" sobre o trabalho de outra pessoa, que isso é desrespeitoso, isso é crime. Imagine que você é um pintor muito talentoso, vejamos, Leonardo Da Vinci, pintando a Monalisa com seu enigmático sorriso. Então chega alguém que resolve dar uma pintura de presente a um amigo, mas acha que a Monalisa ficaria muito mais legal se tivesse um girassol no cabelo e um sorriso mostrando todos os dentes. Então vai lá e adultera. Aproveitando, pinta as unhas da Monalisa de vermelho, manda para a amiga, que imprime vinte mil cópias e espalha por aí dizendo que foi Michelangelo quem pintou. Entende o absurdo?
Não sei se você leu os outros posts, a opinião dos autores que tiveram seus textos roubados ou adulterados, Martha Medeiros, Cris Passinato, Alexandre Inagaki, Patricia Daltro... é extremamente frustrante criar algo, no caso um texto, ter um trabalhão naquilo e depois vê-lo alterado sem sua autorização. Isso não se faz, Camila. Atrapalha o autor, que merece ter o reconhecimento do seu trabalho, atrapalha os leitores, que querem saber de quem é o texto que estão lendo e atrapalha quem altera, que acaba prestando um desserviço, porque faz um texto sem pai nem mãe, que é menos do que o original e menos do que poderia ser se fosse algo inédito. Entendo que você não tenha feito por mal, mas realmente não tem como eu saber de cara quem fez por mal e quem não fez porque existe gente muito maldosa que altera as coisas de propósito, não sei por qual motivo, mas existe, acredite.
Se você realmente admira quem escreveu um texto bonito, então respeite esse autor e mantenha seu texto intacto, porque é a obra dele. Qualquer alteração feita por outra pessoa descaracterizaria a obra, se você gosta de escrever, sou a primeira a te incentivar a praticar, porém tire a inspiração de dentro de você, não altere textos que já existem. Você tem a capacidade de criar algo novo, se quiser. E assinar com seu próprio nome, o que é bem mais bonito, tocante e precioso. Eu não disse que a versão alterada por você é uma praga que destrói civilizações, mas que esse tipo de atitude, de copiar, alterar e colar, ignorando o autor e a versão original é uma praga destruidora de civilizações, porque igora qualquer senso histórico e noção de preservação da cultura, que são coisas necessárias para a manutenção de qualquer civilização que se preze.
Não posso julgar seu texto porque ele não existe. Você alterou o texto de outra pessoa e agora ele não é nem seu, nem de outra pessoa. Ninguém o mandou para mim, ele simplesmente está circulando na internet como se fosse a versão original e ainda assinada por William Shakespeare!!! Primeiro, reafirmo o que já disse anteriormente: esse texto é uma tradução do texto de Veronica Shoffstall, devidamente registrado. Foi escrito quando a autora tinha dezenove anos, em 1971.
Entendo sua boa intenção, acredito que em sua cidade exista uma biblioteca pública e talvez lá você encontre livros de Shakespeare e possa ler a obra original do escritor, o que certamente vai te dar novos parâmetros. Eu queria que você me dissesse qual livro de auto-ajuda Shakespeare já escreveu. Você já leu Hamlet? Já leu Rei Lear? Já leu Macbeth? Otelo? A Megera Domada? O Mercador de Veneza? Nenhum deles é de auto-ajuda, te garanto. Procure ler esses clássicos e conhecerá os traços literários do autor. Esqueça a internet quando se trata de autores clássicos, como você mesma pôde comprovar, na Net muitos Shakespeares são Camilas de Lima e realmente não existe a menor garantia de que o texto que você esteja lendo seja de quem você acredita.
É por isso que criei o blog Autor Desconhecido, para conscientizar pessoas que não escrevem da importância que os textos têm a quem escreve, a importância de manter a autoria correta, a importância de manter o texto intacto. De outra forma, não conheceríamos hoje Shakespeare, por exemplo. Pense um pouco sobre isso, reflita, compreenda. Espero, sinceramente, poder contar com a sua colaboração nessa caminhada. Adoraria poder colocar seu nome naquele texto, por exemplo, mas não posso. O texto não é seu, não é de Veronica, não é de Shakespeare. Sei - e sei mesmo, eu realmente acredito em você - que você não fez com essa intenção, mas alterar textos de outros autores configura crime de plágio, não é bonito, não é legal. Por isso insisto que o melhor que você pode fazer por você, pelos leitores, pelas suas amigas e pela literatura é escrever seus próprios textos, baseados em sua própria vida e nunca mais alterar o texto alheio, ainda que pareça não ter autor. Sempre tem.
Então você vai entender o quanto um autor ama seu próprio texto e o quanto dói vê-lo alterado, mutilado, modificado e atribuído a outra pessoa. Pode parecer bonito esse negócio de "texto escrito com o coração", mas escrever é trabalho e dá trabalho, respeitar esse trabalho é o mínimo que devemos aos escritores que dia após dia nos brindam com linhas inspiradas e interessantes. Espero que compreenda isso.
Grande abraço
Vanessa Lampert
Ao menos uma entidade que distorce e alonga textos já não é mais tão desconhecida assim :-) E é confortador saber que, ao menos nesse caso, ela não fez de propósito, nem estava mal intencionada, o que me leva a crer que vai refletir sobre o que eu disse. Eu espero.
UPDATE
Betty Vidigal, outra lutadora incansável de nosso ingrato trabalho de formiguinha, alerta para a existência de um site que tem tudo sobre Shakespeare, segundo ela, é praticamente um Google de Shakespeare. Então, para tirar qualquer dúvida, vá até http://www.psrg.cs.usyd.edu.au/~matty/Shakespeare/, digite todas as traduções possíveis de "um dia você aprende que" e não vai encontrar nada. Simplesmente porque não há um mísero registro sério desse texto em nome de Shakespeare. Por que não é dele, obviamente. Como disse Veronica no texto anterior, "This poem has been plagiarized, bastardized, renamed, reworded, redesigned, expanded and reduced." . Eu, sinceramente, espero que com esse nosso trabalho consigamos devolver ao menos um pouco da dignidade da obra original à sua autora. E espero contar com a compreensão e colaboração de quem visita esta página para isto.
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Desvendado por Vanessa Lampert
7:55 PM
Mais do Mesmo
O texto ainda gera controvérsias, portanto, passo a palavra à autora, Veronica Shoffstall, para que ela diga o que acha de ver seu texto atribuído a Shakespeare. Antes de mais nada, o texto não é de Shakespeare, está registrado em nome de Veronica Shoffstall e foi escrito em 1971. Shakespeare jamais escreveu nenhum texto de auto-ajuda.
"This poem has been plagiarized, bastardized, renamed, reworded, redesigned, expanded and reduced. But it is my work, which I wrote at the age of 19 and had published in my college yearbook. Why anyone would want to claim it is beyond me, but for what it's worth, I wrote it, and if I'd known it was going to be this popular, I'd have done a better job of it. - Veronica Shoffstall
Retirado daqui
"After a While"
Veronica Shoffstall
After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn't mean leaning
and company doesn't always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren't contracts
and presents aren't promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow's ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn...
© 1971 Veronica A. Shoffstall
Desvendado por Vanessa Lampert
7:46 PM
Sexta-feira, Maio 12, 2006
Sobre o texto anterior, "Pequeno tratado sobre a mortalidade do amor" escreve Alexandre Inagaki, autor do blog Pensar Enlouquece. Pense Nisso.: Originalmente postado em seu blog e posteriormente reproduzido no Digestivo Cultural e colado aqui :)
O amor e o amor plagiado
Agora como me tornei um autor (des)conhecido
e fui parar em um anexo de PowerPoint
Alexandre Inagaki
Há tempos não publico ficções no meu blog, optando por deixá-las guardadas em uma gaveta nada virtual, por dois motivos principais. O primeiro é o fato de que há na blogosfera diversos escritores mais inspirados do que eu (dois bons exemplos: Fabio Danesi Rossi e Dennis D. ). O segundo é a praga virtual que infesta há tempos a Internet: a mania que certas pessoas têm de se apropriar de textos alheios. Enquanto alguns acrescentam sua assinatura a textos que jamais escreveram (e nem seriam capazes de), outros atribuem a escritores conhecidos a autoria de versos e prosas alheios.
Tão inacreditável quanto a conduta daqueles que adulteram a autoria de textos é tentar entender como é que existem pessoas que crêem piamente que um escritor como Luis Fernando Veríssimo teria sido capaz de escrever uma crônica com o sutilíssimo título "Um Dia de Merda". Enfim, coisas de uma nação de analfabetos funcionais, que lêem e interpretam textos com neurônios apáticos e apaziguados. Acham um artigo bonitinho ou engraçadinho, decidem reencaminhá-lo via e-mail para sua lista de contatos ou copiá-lo em seus blogs e mal se preocupam com detalhes "secundários" como dar os devidos créditos do texto que tanto apreciaram.
Tempos estranhos. Fama virtual é escrever um texto e vê-lo atribuído a Clarice Lispector, Arnaldo Jabor ou Herbert Vianna, isso quando você não se torna o tal do "autor desconhecido". Eu, por exemplo, já perdi a conta de quantas vezes vi contos, crônicas, artigos e poemas meus sendo publicados em sites como se fossem escritos por outros. São situações pra lá de chatas, que no entanto são inevitáveis a qualquer um que se disponha a usar a Internet como meio de publicação.
Semanas atrás, por exemplo, fui surpreendido ao receber o forward de um arquivo de PowerPoint baseado em minha crônica "Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor" (texto acima), publicada pela primeira vez em novembro de 2000. Além do choque que sofri ao ver palavras transpostas para esta que é a mais infame das interfaces de um texto, ainda tive o desprazer de constatar que o zé mané que manipulou minha crônica adulterou-a completamente, mudando ou acrescentando sentenças inteiras ao seu bel-prazer. Os trechos mais irônicos, a discreta citação a um poema de T. S. Eliot, a piada sobre "amores inteligentes" ou a referência à fase decadente de Elvis Presley foram tolhidos, e em seu lugar foram incluídas frases típicas de livrecos de auto-ajuda, do tipo "o amor é simplesmente o resultado concreto de um relacionamento maduro e crescente entre duas pessoas". Mas, pior do que ver meu texto retalhado e deturpado, foi encontrar essa versão apócrifa reproduzida na Web em sites entuchados com gifs animados e arquivos mid: de que desgosto.
O que fazer para atenuar os danos causados por tais aberrações? Antes de mais nada, é bom saber que os direitos autorais são regulados no Brasil pela Lei 9.610/98 , que afirma: "É expressamente vedada, sob pena de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis, a reprodução, publicação, distribuição e/ou o uso indevido de qualquer dos textos ora em questão, seja na íntegra ou em partes, sem o expresso consentimento e concordância por escrito dos respectivos autores". Mas só o conhecimento da lei não basta: a fim de resguardar seus direitos, todo autor deve registrar oficialmente suas criações na Biblioteca Nacional (clique aqui para saber como fazer isso).
Vale a pena registrar ainda a observação da jornalista e professora Tina Andrade, que em seu artigo "Copy-paste: na web plágio (ainda) é muito relativo ", escreve: "O poder das networks está disparando e, na minha modestíssima opinião, a melhor maneira de evitar o plágio ainda é, foi e sempre será tornar a sua obra pública para o maior número de pessoas possível! Basta saber transformar internautas-de-carteirinha, 'listeiros', leitores assíduos, formadores de opinião em fiéis escudeiros... Como? Relacionamento: transparente, bem-humorado, interessante. Porque o bom quando se fala em web é mesmo saber lidar com gente". Outra dica é aproveitar os recursos do Copyscape , site que dedura plagiadores de textos. Seu funcionamento é simples: você acessa a página, digita a URL de seu blog ou site e inicia a busca. Em poucos segundos o Copyscape rastreará a Internet em busca de outros sites que tenham copiado excertos de seus escritos.
A propósito: se você gostou de algum texto que escrevi e deseja republicá-lo em algum site, sinta-se à vontade para reproduzi-lo, desde que respeitando as normas do Creative Commons . Last, but not least: e nada de anexos e de PowerPoint, por favor...
Alexandre Inagaki
São Paulo, 8/12/2004
Desvendado por Vanessa Lampert
7:32 PM
"Pequeno Tratado sobre a Mortalidade do Amor"
Alexandre Inagaki
Todos os dias morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição.
Todos os dias morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria do que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem.
Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio ensurdecedor depois de uma discussão: todo crime deixa evidências.
Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, feito Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho-papão. Outros confessam sua culpa em altos brados, fazendo de penico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime, e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda com nomes paradoxais como O Amor Inteligente ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo A Paixão Tem Olhos Azuis, difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes.
Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos.
Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados, e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos, definhando paulatinamente até se tornarem laranjas chupadas.
Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4ª série, ou entre fãs que ainda suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e, pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (bah, isso não é amor; amor vivido só do pescoço pra cima não é amor).
Existem, por fim, os amores-fênix. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da TV ligada na mesa-redonda ao final do domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram - teimosos, e belos, e cegos, e intensos. Mas estes são raríssimos, e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. Mas não quero acreditar nisso.
Um dia vou colocar um anúncio, bem espalhafatoso, no jornal.
PROCURA-SE: AMOR-FÊNIX
(oferece-se generosa recompensa)
-----------------//---------------------
Tento ainda entender quem é a criatura criminosa que conseguiu transformar um texto tão bom na coisa que segue, abaixo. É uma prova de que pode-se matar um texto com simples "adaptações". Certamente essa pessoa achou que, "traduzido" para sua linguagem medíocre, o texto ficaria mais "tocante". Daí para um acréscimo e outro, e outro e outro, foi um passo. Não bastasse ter sido sutilmente distorcido, o texto ainda foi transformado em poema (?!) assinado pelo Autor Desconhecido. E, o cúmulo da degradação do indivíduo, o texto, alterado, foi inserido em uma daquelas apresentações bregas de Power Point. Leia, agora, o texto assassinado (uma das versões que circulam pela net):
Morre Um Amor
***
Todos os dias morre um amor.
Quase nunca percebemos,
mas todos os dias morre um amor.
Às vezes de forma lenta e gradativa,
quase indolor, após anos e anos de rotina.
Às vezes melodramaticamente,
como nas piores novelas mexicanas,
com direito a bate bocas vexaminosos,
capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos.
Pode morrer em uma cama de motel
ou simplesmente em frente à televisão de domingo.
Morre sem um beijo antes de dormir,
sem mãos dadas, sem olhares compreensivos,
com um gosto salgado de uma lágrima nos lábios.
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados,
diálogos cada vez mais resumidos,
de beijos cada vez mais gelados...
Morre da mais completa e letal inanição!!!
Todos os dias morre um amor, embora nós,
românticos mais na teoria do que na prática,
relutemos em admitir.
Pode morrer como uma explosão,
seguida de um suspiro profundo
(porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso),
de saber que, mais uma vez, um amor morreu.
Porque, por mais que não queiramos aprender,
a vida sempre nos ensina alguma coisa.
Esta é a lição: qualquer amor pode morrer!
E todos os dias, em algum lugar do mundo,
existe um amor sendo assassinado.
Como pista desse terrível crime,
surge uma sacola de presentes devolvidos,
uma lista de palavrões sem censura,
ou o barulho insuportável do relógio depois da discussão...
Afinal, todo crime deixa as suas evidências!
Todos nós podemos ser um assassino.
E podemos agir como age um assassino:
podemos nos esconder debaixo das cobertas,
podemos nos refugiar em salas de cinema vazias,
ou preferir trabalhar que nem um louco,
ou viajar para "espairecer",
ou confessar a culpa em altos brados,
fazendo do garçom o seu confidente...
Mas há também aqueles que negam, veementemente,
a sua participação no crime, e buscam por novas vítimas
em salas de bate papo ou pistas de danceteria,
sem dor ou remorso.
Os mais perigosos aproveitam sua experiência
de criminosos para escreverem livros de auto ajuda,
com a ironia de quem tem muito a ensinar
para os corações ainda puros.
Existem também os amores
que clamam por um tiro de misericórdia:
ainda estão juntos,
mas se comportam como um cavalo ferido,
esperando ser sacrificado.
Existem também os amores fantasma,
aqueles que se recusam a admitir que já morreram..
São capazes de perdurar anos,
como mortos vivos sobre a Terra,
teimando em resistir apesar das camas separadas,
beijos frios e burocráticos,
e sexo sem tesão (se houver).
Estes não querem ser sacrificados,
mas irão definhar aos poucos,
até se tornarem como laranjas chupadas.
Existem ainda os amores vegetais,
aqueles que vivem em permanente estado de letargia,
que se refugiam em fantasias platônicas,
recordando até o fim de seus dias
o sorriso daquela ruivinha da 4a. série.
Ou, se faz presente na fã que até hoje suspira e delira
em frente a um pôster do Elvis Presley.
Mas eu, quase já desistindo da minha busca,
pude ainda encontrar uma outra classificação:
os amores vencedores.
Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência,
das infinitas contas a pagar,
da paixão que decresce com o decorrer dos anos,
da mesa-redonda no final de domingo,
das calcinhas penduradas no chuveiro
e das brigas que não levam a nada,
ressuscitam das cinzas e se revelaram fortes,
pacientes e esperançosos.
Mas estes são raríssimos,
e há quem duvide de sua existência.
São de uma beleza tão pura e rara que parecem lendas.
Um dia vou colocar um anúncio,
bem espalhafatoso, no jornal:
PROCURA-SE UM AMOR VENCEDOR
- ofereço generosa recompensa.
Mas, no fundo, sei que ele não surgiria como por acaso...
O que esses poucos vencedores
falam é de que esse amor foi suado,
trabalhado, bem administrado
nas centenas de situações do cotidiano.
Não é um presente de loteria,
de sorte, nem de magia.
É simplesmente o resultado concreto daquilo
que foi um relacionamento maduro
e crescente entre duas pessoas .
Um pedaço de outra versão do atentado ao texto:
"Mas eu, desiludida, triste e quase já desistindo de acreditar no amor, pude ainda encontrar uma outra classificação: os amores-vencedores.
Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, das infinitas diferenças a serem superadas, das mágoas que às vezes acontecem sem querer, ressuscitam a cada momento e se revelam fortes, pacientes e esperançosos.
Esses são raríssimos, e há quem duvide de sua existência, jurando que irão acabar a qualquer momento.
São de uma beleza tão pura e rara que parecem lendas, impressionando a quem os observa incrédulos, sem entender como duas pessoas podem se amar tanto.
Mas, no fundo, sei que estes não surgem como por acaso...
O que se observa é que esse amor foi suado, cultivado, trabalhado, bem administrado nas centenas de situações do cotidiano.
Não é um presente de loteria, de sorte, nem de magia.
É simplesmente o resultado concreto daquilo que foi
um relacionamento maduro, seguro e crescente entre duas pessoas."
Acréscimos ou A Festa da Mediocridade:
Algumas versões circulam com acréscimos no final:
"E, assim sendo, renasce como um fenix a cada tentativa de morte. Surgindo mais brilhante e forte, apresentando-se como indissociável da própria vida, que não mais poderia ser vivida sem ele.
Estou sentindo sua falta..."
Outros preferem assassinar o texto (já agonizante) discordando, na apoteose da breguice:
"Alguns chamam-nos de "Amores-unicórnio", porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas.
Mas... Eu recuso-me a acreditar nisso!!!
Não importa o tamanho da montanha... Ela não pode tapar o Sol!!! "
E uma versão tão revoltante quanto:
Todos os dias nascem pessoas, morrem pessoas.
Mas existe também, A MORTE DO AMOR:
Todo o dia morre um amor.
(...)
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, camas separadas, distância, diálogos cada vez mais resumidos, de beijos cada vez mais gelados, do sexo sem tesão (qdo há)...
Todos os dias morre um amor.
Existem também os amores que clamam por um tiro de misericórdia: ainda estão juntos mas se comportam como um cavalo ferido, esperando ser sacrificado.
Existem também os amores-fantasma, aqueles que se recusam a admitir que já morreram.
Todo dia um amor começa a morrer.
Há quem perceba a tempo de salvá-lo.
Há quem perceba tarde demais.
Há quem veja isto acontecer e nada possa fazer...ou apenas omita socorro.
Há quem perceba bem depois que ele morreu, daí não há mais como ressuscitá-lo.
Mas que todo dia morre um amor, ah, isso morre.
Afinal, o pra sempre, sempre acaba, né não? "
Urgh
Encontrei uma versão em que a pessoa parece ter escrito (errado) enquanto alguém ditava. Assim, "quase indolor" virou "quase incolor", "telefonemas cada vez mais espaçados" virou "telefonemas cada vez mais gelados" e, por fim "Morre da mais completa e letal inanição" virou "Morre da mais completa e letal inanimação".
Alguns terminam antes de acabar, assim:
"Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas. E é esse amor que eu quero viver , PARA SEMPRE!!"
E assim, vira festa da uva. Se o texto é de Autor Desconhecido significa que o autor não existe (me abstenho de comentar tal dedução) e, portanto, não vai reclamar de ter sido roubado e adulterado. Pensando (?) por esse lado, a pessoa acrescenta o que melhor se encaixe em sua realidade ou altera pura e simplesmente para convencer seus amigos de que ela realmente escreveu aquilo. Eu, sinceramente, não entendo qual é a graça de receber elogios por um texto que foi feito por outra pessoa. Atestado de loser. Desculpe, mas é o que eu mais vejo por aí. Copiam e colam textos "sem autor", modificam e respondem aos elogios dos leitores com um "ah, obrigada, eu estava inspirada nesse dia".
Dia desses encontrei um post datado de 2005 no blog de uma menina, formado por dois parágrafos de um post meu de 2004 (notem que nem era um texto, era um post de blog) como se tivesse sido escrito por ela. E teve ainda a história de uma amiga que teve o blog inteiro copiado por uma menina que queria impressionar o namorado. Para que isso? Será que não existe nada dentro dessas criaturas? Me desculpe, mas não adianta falar mal do governo, a honestidade tem que estar presente nas pequenas coisas, naquilo que fazemos sozinhos, sem que ninguém nos veja. Só assim estaremos preparados para mostrar honestidade diante de outras pessoas e cobrar o mesmo de quem quer que seja. Não nos deixar corromper por dinheiro, por poder ou por vaidade. Por nada.
Por favor, não repasse esse texto-Frank, alterado. Se quiser repassar ou publicar, use o original, creditado ao autor, Alexandre Inagaki, do blog Pensar Enlouquece. Pense Nisso.
PS: Mantenho o direito de expressar meu repúdio a esse tipo de coisa, afinal de contas, é mais ou menos para isso que este blog serve.
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Desvendado por Vanessa Lampert
7:14 PM
Quinta-feira, Maio 04, 2006
Finalmente estamos fazendo barulho.
Considerações sobre o blog, o livro da Cora, espaço na mídia e o Jornalista Desconhecido
Porque este blog foi citado na introdução do livro Caiu na Rede , da Editora Agir, organizado por Cora Rónai, que trata do mesmo tema (é uma coletânea de textos apócrifos da internet). Porque este blog foi citado em reportagem da Zero Hora no dia 25 de abril (não sei quem foi o jornalista responsável, portanto estou impossibilitada de dar os créditos a tão amável criatura) e porque eu fui, definitivamente, excluída das listas de e-mails de quase todos os meus amigos e praticamente não recebo textos encaminhados e fico sabendo dos textos do Desconhecido através de leitores deste blog, sinto que minha existência neste planeta tem um objetivo superior :-)
Fico feliz pela idéia estar dando certo, finalmente a contribiução do Autor Desconhecido à causa dos textos roubados, descaracterizados e órfãos começa a ser significativa. Mas ainda é muito pouco. São apenas vinte textos catalogados em um ano de funcionamento, o que ainda é muito pouco, mas felizmente, conforme minha intenção inicial, a maior parte dos acessos vem de pesquisas google e cada vez mais recebo mensagens de pessoas agradecendo por eu ter solucionado suas dúvidas. Colaborações também são bem-vindas (e sempre checadas), mas geralmente sou mesmo eu que fico com o "trabalho sujo". Parece um trabalho sem fim e também por isso, bastante ingrato, mas quem sabe, unindo nossas forças de formiguinha, consigamos alterar, ainda que lentamente, esse quadro.
Agradeço ao responsável pela matéria sobre o Caiu na Rede, na Zero Hora, que citou o blog. Pena que o nome não estava lá, entre o título e o texto, para ser citado aqui. Ironia das ironias, não encontrei o nome do autor da reportagem sobre textos trocados e de autoria desconhecida. Infelizmente, ao que parece, a figura do Jornalista Desconhecido é mais comum do que deveria. :-)
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Desvendado por Vanessa Lampert
5:34 AM
Domingo, Abril 09, 2006
Não é Shakespeare, não é do Desconhecido, não é Vinícius, não é Garth Henrichs (seja lá quem for)
Essa me foi perguntada pela Alice nos comentários do texto anterior. Esse texto foi publicado originalmente pelo cronista gaúcho Paulo Sant'Ana, o verdadeiro autor, na coluna que ele assina no jornal Zero Hora e também consta no livro "O Gênio Idiota" (1992, ed. Mercado Aberto). Sobre a confusão, o próprio jornal Zero Hora, publicou, em 19 de junho de 2002: "O colunista Paulo Sant'Ana recebeu esse e-mail do jornalista Emanuel Mattos no dia de seu aniversário e, para seu espanto, identificou que o texto, assinado por Vinícius de Moraes, é de sua autoria. Surpreso, imediatamente ligou e desfez a confusão. A criação de Sant'Ana já deve ter circulado por muitas caixas de mensagens com a assinatura de Vinícius, sem que ninguém soubesse da troca de autor. Somente, é claro, o próprio Sant'Ana."
Sendo assim, autoria desvendada, agradeço a colaboração de outras formiguinhas do direito autoral, de quem encontrei os textos prontos que me facilitaram (e muito) o trabalho: o jornalista gaúcho Emilio Pacheco e a escritora Betty Vidigal . Agradecendo também ao meu marido, o escritor e cartunista Davison Lampert, gaúcho, porto-alegrense, que já tinha lido o texto de seu conterrâneo e me confirmou, sem sombra de dúvidas, que o Paulo Sant'Ana era o pai do negócio.
MEUS SECRETOS AMIGOS
Paulo Sant'Ana
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
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UPDATE
Já tinha lido isso, mas não tinha dado crédito por conta da republicação do texto como o recebi, na Zero Hora, sem explicação do paulo Sant'Ana sobre a última frase: "A gente não faz amigos, reconhece-os". Recebi o seguinte comentário do Emilio Pacheco:
Só uma observação: a última frase, segundo consta (acho que foi realmente Betty Vidigal quem desvendou isso), é mesmo de Garth Henrichs. "One does not make friends. One recognizes them." Fui olhar no livro "O Gênio Idiota" e - surpresa! - essa frase não constava no final da crônica. Ela foi acrescentada "a posteriori" na "ciranda" de e-mails. Só que, ao republicar a crônica na Zero Hora para reivindicar sua autoria, Sant'ana deixou a frase a mais, como se constasse do original e fosse também dele.
Então, Emilio, a famigerada frase de Garth Henrichs foi sumariamente cortada do texto postado aqui. A César o que é de César. Se não é de César a gente deleta e credita o resto ao próprio :) E que seja feita a justiça ao pobre Henrichs, que ninguém conhece.
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Desvendado por Vanessa Lampert
6:38 PM
Quinta-feira, Março 09, 2006
Não é Verissimo!! - Parte vinte.
Demorei um século para identificar a autora desse texto e entrar em contato com ela, mas finalmente encontrei. Francine Bittencourt de Oliveira é a autora do texto abaixo, intitulado "A verdade sobre Romeu e Julieta", espalhado pela internet como sendo do Luis Fernando Verissimo, ou mesmo do nosso amigo, o Desconhecido. Por favor, corrijam a autoria, espalhem os nomes dos verdadeiros autores dos textos aqui postados, vamos combater essa praga que é a bagunça autoral que textos encaminhados causam.
: A VERDADE SOBRE ROMEU E JULIETA ::
Francine Bittencourt de Oliveira
Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor? São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo, se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno?
Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora. Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão.
Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada motivado pelo impulso do álcool.
Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu ,fumando um cigarro atrás do outro, ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado.
Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM.
Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã perdido no meio da jaqueta (que não era da Julieta). Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estrias e celulite e histérica com muita coisa para fazer.
Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso, querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém. Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha.
Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro. Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado.
Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta. Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu.
Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo.
Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela.
Romeu nunca disse para Julieta que na verdade só queria sexo e não um relacionamento sério, ela deve ter confundido as coisas. Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança.
Romeu não tinha uma ex- mulher que infernizava a vida da Julieta.
Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu.
Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível de manga curta e um sapato para lá de ultrapassado, deixando- a sem saber onde enfiar a cara de vergonha...
Por essas e por outras que eles morreram se amando...
Desvendado por Vanessa Lampert
4:19 AM
Sexta-feira, Novembro 04, 2005
No dia 28 de maio de 2001, em sua extinta coluna no Almas Gêmeas, Martha Medeiros escreveu sobre o assunto (ou parte dele):
CLONAGEM DE TEXTOS
Martha Medeiros
A internet aproxima amigos e divulga informação: só é nociva à medida que as pessoas são, elas próprias, nocivas. Infelizmente, uma destas nocividades tem se manifestado em forma de desrespeito ao direito autoral.
Circula pela internet um texto meu sobre saudade, chamado A dor que dói mais, publicada aqui no Almas Gêmeas e no meu livro Trem-Bala, assinado por Miguel Falabella, inclusive com uns enxertos vulgares, licença-poética que o "co-autor", seja quem for, se permitiu. Também andou circulando um texto meu chamado As razões que o amor desconhece, desta vez creditado a Roberto Freire. No Dia Internacional da Mulher, a apresentadora Olga Bongiovanni, da TV Bandeirantes, gentilmente leu no ar o meu texto O Mulherão, e em seguida o disponibilizou no site do programa, onde pude constatar alguns parágrafos adicionados por algum outro co-autor ávido por fazer sua singela contribuição. A produção corrigiu o erro assim que foi avisada. Quem controla isso?
Imagino que essa apropriação indevida venha lesando diversos outros cronistas, que por dever de ofício produzem textos diariamente, tornando-se inviável o registro de cada um deles. A fiscalização fica por conta do leitor, que, conhecendo o estilo do escritor, pode detectar sua autenticidade.
Não chega a ser um crime hediondo e também não é novo. Credita-se a Borges um texto sobre como ele viveria se pudesse nascer de novo, que os estudiosos da sua obra negam a autoria, e Garcia Marquez, pouco tempo atrás, teve que desmentir ser ele o autor de um manifesto meloso que andou circulando entre os internautas. Luis Fernando Verissimo também andou negando a autoria de um texto sobre drogas, que assinaram como se fosse dele. Todas as pessoas que escrevem estão e sempre estiveram vulneráveis a esses enganos, involuntários ou não, mas não há dúvida de que a internet, pela facilidade e rapidez de divulgação de e-mails, massificou a rapinagem.
Perde com isso, primeiramente, o autor, que vive de seu trabalho e que fica à mercê de ter suas palavras e pensamentos transferidos para outro nome ou adulterados: não são poucos os que acrescentam sua própria idéia ao texto e mantém o nome do autor verdadeiro, pouco se importando em corromper a legitimidade da obra. E perde também o leitor, que é enganado na sua crença e que poderá vir a passar por desinformado. Viva a internet, mas que os gatunos virtuais tratem de produzir eles mesmos suas próprias verdades.
Desvendado por Vanessa Lampert
11:11 AM
Texto-Frankstein
Circula na internet um texto intitulado "Aprender", creditado a William Shakespeare. Colo abaixo minha resposta ao e-mail de um leitor que queria confirmar se o texto era ou não de Shakespeare:
Olha, existe uma entidade desconhecida que distorce e alonga textos de autores pouco conhecidos e cola o nome de escritores mais conhecidos, para dar credibilidade. O texto que você me enviou é largamente atribuído a Shakespeare, mas você deve ter estranhado o tom "auto-ajúdico" quase adolescente da mensagem e algo lá dentro gritou: "cara, isso não pode ser Shakespeare!". Você tem razão. É uma coletânea. Ou um "Texto-Frankstein", como costumo chamar, cuja base é um poema de Esse é um poema de Veronica Shoffstall ("After a While", ou "Depois de um Tempo"), de 1971. Também conhecido por "Comes the Dawn".
Boa lembrança, vou adicionar este texto ao catálogo do Autor Desconhecido. Valeu!
Abaixo vai o poema que originou o texto-Frank, para você conferir.
After a while
Veronica Shoffstall
After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn't mean leaning
and company doesn't always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren't contracts
and presents aren't promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow's ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn.
A verdadeira tradução:
Depois de um tempo
Veronica Shoffstall
Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença entre
segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de uma ciança
e você aprende
a construir todas as estradas hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair
no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores
E você aprende que você realmente pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende.
E uma das versões do texto- Frankstein:
Aprender
Depois de algum tempo você aprende a diferença,
A sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
E que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
E presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas
Com a cabeça erguida e olhos adiante,
Com a graça de um adulto
E não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
Porque o terreno do amanhã
É incerto demais para os planos,
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende
Que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
Algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
Ela vai feri-lo de vez em quando E você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
E apenas segundos para destruí-la,
E que você pode fazer coisas em um instante,
Das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades
Continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
Mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família
Que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
Se compreendemos que os amigos mudam,
Percebe que seu melhor amigo e você
Podem fazer qualquer coisa, ou nada,
E terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas
Com quem você mais se importa na vida
São tomadas de você muito depressa,
Por isso sempre devemos deixar
As pessoas que amamos com palavras amorosas,
Pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes
Têm influência sobre nós,
Mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender Que não se deve comparar com os outros,
Mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo
Para se tornar a pessoa que quer ser,
E que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou,
Mas onde está indo.
Mas se você não sabe para onde está indo,
Qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos
Ou eles o controlarão,
E que ser flexível não significa
Ser fraco ou não ter personalidade,
Pois não importa quão delicada e frágil
Seja um situação, Sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas
Que fizeram o que era necessário fazer,
Enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes
A pessoas que você espera que o chute quando você cai
É uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
Com os tipos de experiência que se teve
E o que você aprendeu com elas
Do que com quantos aniversários você já celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você
Do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança
Que sonhos são bobagens,
Poucas coisas são tão humilhantes
E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva
Tem o direito de estar com raiva,
Mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama
Do jeito que você quer que ame,
Não significa que esse alguém
Não o ame com tudo o que pode,
Pois existem pessoas que nos amam,
Mas simplesmente não sabem
Como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente
Ser perdoado por alguém,
Algumas vezes você tem que aprender
A perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
Você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa
Em quantos pedaços seu coração foi partido,
Mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo
Que possa voltar para trás,
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte,
E que pode ir muito mais longe
Depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
E que você tem valor diante da vida!
Nossa dádivas são traidoras
E nos fazem perder
O bem que poderíamos conquistar,
Se não fosse o medo de tentar
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URGH!!!!!!!
Isso é, definitivamente, uma praga. Daquelas que destroem civilizações... será que um dia conseguiremos acabar com essa desgraça? Por favor, não repassem esse texto-Frank, alterado. Se quiserem repassar ou publicar, use o original ou a tradução do original, creditada à Veronica Shoffstall.
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Desvendado por Vanessa Lampert
10:27 AM
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